Há muitos anos que temos no nosso país, a tradiccional “calçada portuguesa”. Sempre ouvi dizer, que é linda e que não há chão mais bonito no mundo que o nosso. Que é feito à mão, pelos calceteiros, e tem um valor sentimental muito grande. Se calhar estou a exagerar, não é valor sentimental, mas que existe há muito tempo, e que não é mudada por tradição, lá isso não há dúvida. Vamos então fazer um exercício: observar os nossos passeios. Até podia ser que fossem lindos, quando acabaram de ser colocados. Mas observemos: quantos buracos, quanto chão irregular…quê? Nunca escorregaram? E não estou a falar dos saltos altos que é impossível usar em tal chão tão irregular. E irregular porquê? Porque para além de os passeios não serem reparados há muitos anos em muitos locais, a força da natureza é tal, que as raízes das árvores, empurram para cima as pedras da calçada, sem falar nos carros pesadíssimos que estaccionam em cima dos passeios. Todos os dias, para mim, é uma verdadeira jincana não magoar a base dos pés, sejam quais forem os sapatos que use, altos ou baixos. A única excepção são os ténis, mas mesmo esses, em chão tão irregular, não sei como não provoca mais entorses. Solução: caminhar pela estrada, uffa que alívio…
Nos outros países, o chão é feito de um material cinzento escuro, liso. Mas não é preciso ir muito longe. No norte de Portugal, por exemplo Porto, Braga, Viana do Castelo, etc, já usam esse tipo de chão, em muitos sítios da cidade. Se calhar perceberam há algum tempo, o quão obsoleto é usar pedras de calçada, e quão pouco prático é. Não percebo qual é a ideia, até nem acho assim tão bonito esse tipo de pavimento. Se era porque antigamente havia muitos calceteiros, hoje em dia não vejo nenhum, a não ser por vezes, calceteiros da câmara, quando há algum buraco num local de acidente ou, como vi há pouco tempo, no rebaixamento de passeio ao pé de semáforos, para os deficientes. Tirando isso, nunca vejo calceteiros. Se querem manter este tipo de pavimento, e já que poucos o querem fazer como profissão, porque não deixar esse trabalho para os presos para que ocupem o seu tempo com actividades úteis?
Se fosse eu que mandasse, mudava o chão em todo o lado, e mantinha o “chão tão bonito calcetado” junto aos monumentos portugueses, como uma forma de manter a tradição. Fora desse locais, deixem-se de ser retrógradas e pouco práticos e copiem os bons exemplos…
Se todos os passeios estivessem como o daqui da foto...seria bem diferente!